A rosa


Alguns dizem que o amor é como um rio,
que afoga a relva macia.
Alguns dizem que o amor é como uma navalha,
que deixa a sua alma sangrando.

Alguns dizem que o amor é como a fome,
uma necessidade dolorosa que nunca acaba.
Eu digo que o amor é como uma flor,
E Você é a apenas uma semente.

É o coração receoso de quebrar,
que nunca aprende a dançar.
É o sonho receoso de acordar,
que nunca aproveita a chance.

É o único que não pode ser pego,
por quem não pode se entregar.
E a alma receosa de morrer,
que nunca aprende a viver.

Quando a noite tiver sido solitária demais,
e a estrada muito longa.
E você pensar que o amor é somente,
para o afortunados e fortes.

Apenas lembre-se que no inverno,
distante sob a neve amarga,
encontra-se a semente que com o amor do Sol
na primavera se torna a rosa.


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04h22 |





Plural

 

Não acredito em misticismo, mas há fatos do mundo que eu realmente não consigo explicar. Um deles refere ao meu aniversário. Desde criança, sempre o mês de agosto é o mês em que ocorrem fatos muito especiais na minha vida. Muitos dos meus primeiros foram nesse mês. Muitas das maiores lições da minha vida ocorrem nessa época. Surpresas que mexeram com meu coração. Presentes que a vida me dá. Chances de mudar e crescer. Secretamente, esperava essa mágica acontecer. Foi aí que surgiu o Plural no dia 19 de agosto, um dia depois de meu aniversário e, então, tudo mudou.

Desde então meus sábados tem sido de discussão, de pensamento, de estar com pessoas interessantes e cheias de vida, de viver momentos que foram gradualmente mudando o meu modo de perceber e viver o mundo. Eu sempre fui tão centrado nas minhas dores, tão voltado ao meu modo de perceber o mundo (tenho meus motivos pra ser assim) e fui aprendendo sobre suas histórias, suas caminhadas, suas dores e alegrias, tudo que as constituiu Com isso, crescemos e mudamos. Mas eu acredito que o ápice de tudo que foi conquistado foi nesse ultimo sábado.

Depoimentos, histórias contadas e lágrimas. Copos de refri pelos lados, pedaços de pizza, guardanapos, uma mala de roupas no centro da sala, tantas cores de camisas, tantas ideias, pensamentos e escolhas brotando, risos, comoção, piadas; Na cozinha, cigarros e conversas sérias, tons distantes, pessoas preocupadas, confabulando; Na cama estojos de maquiagem multicoloridos, batons, bases e pó compactos, apetrechos de maquiagens dos mais diversos em meio a maquinações, comentários irônicos de um humor tocante; no corredor, toalhas molhadas penduradas, roupas jogadas, brigas pelo banheiro e uma alegria e uma movimentação sem nome. Acompanhei tudo de perto até a hora do show. Sorri, fiquei tenso, repensei. Mais tarde, estive sozinho ali. Desci as escadas vermelhas e fiquei ali, em silêncio, contemplando o palco desse pequeno espetáculo. Me senti parte de algo muito especial, me senti dentro de uma bela família.

Somos plurais porque somos muitos, porque somos diferentes, porque queremos ser mais. Temos alma, pensamos unidos, juntamos ideias e corações por ideais. Pensamos de forma ampla, mas atuamos de forma objetiva. Não somos apenas conhecidos, rostos com os mesmos ideais, voltados na mesma direção. Somos amigos, uma família que a vida constituiu e que o tempo não pode apagar. Meu coração apenas tem a agradecer essas pessoas maravilhosas que cada dia que passam me fazem sentir ser parte de algo tão bonito e único no mundo.  Amo estar plural, amor ser plural e tudo que ganho, apenas tenho a agradecer a todos vocês!

 

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Muito obrigado!



12h31 |





Meu menino

Meu menino
Você não sabe o que eu vejo
nesse sorriso maroto
nesse jeito maluco de ser
nesse andar cheio de gingar
que você tem

Meu menino
Você tem um modo de ser
Tão atrevido com o mundo
Tão sofrido consigo
Tão bonito e contido
que não cansa de mudar

Meu menino
Você não sabe que a vida
Não é bonita como nos filmes
Não é feia como dizem seus pais
Não é parada como um rio
que não sai do lugar

Meu menino
Você acha que sabe
Dos monstros e fadas
Dos reis e dos padres
Dos fortes e fracos
que você não cansa de analisar

Meu menino
Você precisa saber de mim
Que a vida é assim
Que as pessoas são aquilo
Que os caminhos são isso
que você evita pensar

Meu menino
Você que nem percebeu
Que nunca foi meu
Que não é tão menino
Que vive pensando consigo aquilo
que ninguem parou para achar

Meu menino,
adoro o seu jeito de olhar

[Will G.]



14h17 |





Someone like you

 

 

I heard that you're settled down
That you found a girl and you're married now
I heard that your dreams came true
Guess she gave you things, I didn't give to you

Old friend
Why are you so shop
It ain't like you to hold back
Or hide from the light

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it
I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead, yeah

You'd know how the time flies
Only yesterday was the time of our lives
We were born and raised in a summery haze
Bound by the surprise of our glory days

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it
I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over yet

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead, yeah

Nothing compares, no worries or cares
Regrets and mistakes they're memories made
Who would have known how bitter-sweet this would taste

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remembered you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead

 

[Adele - Someone Like you]

 

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Quando imundo de sentimentos é que as coisas voltam a ser como eram. Para melhor...



15h56 |





Fiel a meu Desejo

 

No último feriadão, eu usei meu tempo livre para ler um dos livros do meu psicanalista favorito, Contardo Calligaris, chamado "Carta a um Jovem Terapeuta". É um livro sensacional que traz uma compreensão sobre o ser humano que poucos psicanalistas conseguem ter. Saindo do narcisismo exagerado típico de muitos psicanalistas, Calligaris coloca que a psicanálise está a serviço das pessoas e o inverso, respondendo de forma didática e clara muitas dúvidas que estudantes psicologias, como eu, têm. Mesmo assim, não precisa ser um psicólogo ou psicanalista para entender esse livro.

O livro é ótimo, mas uma parte em si captou meus sentidos.  O que fazer com a identificação que o paciente acaba tendo pelo terapeuta? Desde o nosso nascimento, identificamos-nos com várias figuras, instituímos padrões e internalizamos comportamentos. De pais, professores e figuras representativas em nossas vidas, estamos em constante processo de construção de nós mesmos, a partir dos tantos outros que nos cercam. Um processo terapêutico é similar; desconstruímos o que está defeituoso e nos reencontramos. É inegável que muito disso se deve a nossa capacidade psíquica, mas também é inegável admitir que todo esse processo é mediado e influenciado pelo terapeuta. Auxiliando na reedição de nossas vivências primárias, o terapeuta nós permite elaborar o que ficou não significado. O processo de identificação surge como decorrência disso. Mas como ser um bom modelo de identificação para alguém? O que se precisa fazer?

Calligaris responde essa questão de forma incisiva:

"Portanto, se você sente uma responsabilidade diante da tendência de seus pacientes a se identificarem com você, essa responsabilidade deveria lhe sugerir o seguinte: seja você mesmo. Ou seja, não aja para apresentar a seu paciente (e ao mundo) uma imagem que seria agradável ou mesmo presumivelmente “boa” para quem a ela se identificasse, mas aja quanto mais perto possível de seu desejo." (p. 149-150)

Desejo é um tema recorrente da psicanálise, já que é ele que nos impulsiona a viver ou a morrer. Nosso desejo, de modo simplificado, é o que diz para onde vamos e o que queremos de fato com a nossa vida. Seja buscar autonomia e nos tornamos adultos ou voltar para dentro do útero da mãe. Se penarmos que somos modelos a outras pessosas de nossa vida, também estamos pensando o que somos para nós mesmos. Você vive hoje de acordo com seu desejo?

Fico pensando na minha vida. Eu nunca estive tão ocupado como agora. É bom ter movimento, conviver com pessoas, sair de casa. Realmente, eu tenho me permitido muito mais do que antigamente. Deixei as pessoas entrarem no meu estranho mundo e acredito que tenho sido fiel comigo mesmo nesse processo. Mas onde meu desejo foi parar eu realmente não sei. Não tenho conciliado todas as minhas necessidades e isso me encuca eventualmente. Tem algum tempo que tenha pensado no livro "Fúria da Beleza" da Elisa Lucinda. É o livro do meu poema favorito, "Dei um gelo nela (o poema da geladeira)", mas nunca tive tempo de lê-lo integralmente. Esses são os pequenos desejos que me consomem na falta da sua realização.

Concordo com Calligaris que para sermos modelos de identificação plenos temos que viver de acordo com nossos desejos. Vou um pouco mais além até. Para realmente vivermos nossa vida em sua plenitude, temos que nos permitir viver esses desejos. Viver é como estar em um grande filme. É necessário passar pela tristeza, pela desesperança, pela alegria para somente assim chegarmos ao nosso grande final. Ser fiel aos nossos desejos é a ferramenta que inicia tudo isso. Sem ela não se passa pelo primeiro comercial. Sem ela não se tem o início de muitas grandes histórias.

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Aproveito o texto de hoje para indicar o clipe da música "Carnival of Rust" de Poets of The Fall. Agradeço a indicação do meu amigo Marco Túlio (Summers). Não seria a vida um grande parque de diversões?

 

 

Do you breath the name of your saviour,
in your hour of need
And taste the blame, if the flavour
should remind you of greed

And more than ever I hope to never fall
Where enough is not the same it was before



20h29 |





Um estranho chamado

 

Você pode me ouvir?

Sei que está muito ocupado com tua vida. Ando por essas estradas também. Mas me diga, se volta e meia não te pegas pensando nos caminhos que eu e você estamos fazendo. Será que eles vão se cruzar?

Sei que finge estar tudo bem. Que tanto estudo e trabalho não lhe incomoda. É o que espera da vida. Mas será que é o que teu coração espera? Das tuas tantas certezas, aposto que há poucas respostas verdadeiras.

Sei que corre contra o tempo, porque ele não para, te dizem, mas você queria que ele parasse. As flores do partque te esperam, mas você nem sabe disso.

Sei que o mundo não te entende. Às vezes, penso que você, como eu, espera um sinal. Aquele que vai te dizer: "É, por aí mesmo", mas no fundo você sabe que isso não existe. Sabe que é você quem o dono do seu destino, a força da tempestade. Maior do que tudo que podes sonhar. Consegue entender?

Você pode me ouvir?



18h58 |





Degustação

Eu nunca parei para pensar no que realmente ditados significam. “Devagar se vai ao longe”, “de grão em grão a galinha enche o papo”, “Deus ajuda quem cedo madruga”. Nunca significam nada para mim. Mas quando se perde tempo tentando ter mais tempo eles ganham algum sentido. Quando se tenta ir contra as engrenagens que giram essa maquina idiota que é o tempo, tudo ganha outro sentido, até quem eu sou como indivíduo e, principalmente, como ser literário. Será que algum dia eu vou superar esses dilemas?

Eu não me recordo exatamente quando aprendi a ler. Eu apenas lembro que comecei a estudar por volta dos 3 ou 4 anos, quando, por um deficiência visual, minha mãe me matriculou numa escola especial. Sempre estive cercado por livros, mesmo que não conseguisse compreende-los. Lembro-me claramente da vez que uma tia apostou comigo quem entre eu e meu primo conseguia ler melhor um livro. O vencedor ganhava um apontador de um gatinho. Dias depois, lá ia eu, feliz da vida como meu novo material escolar. Talvez por essa razão a leitura está sempre atravessada pelo tempo para mim.

Um pouco mais velho, por volta dos 8 anos, me mudei de cidade e como o típico clichê de garotinho sozinho não tinha amigos. Obviamente tratei de fazer alguns substitutos  na biblioteca municipal. Não conseguia levar apenas um deles para casa, precisava ficar ali por horas, sentado entre eles, ouvindo o que cada um tinha a dizer a mim Livros e suas histórias banais, talvez diga.. E o tempo, esse meu inimigo atual, passou. Já adolescente, como acontece com muita gente, meu interesse por livros se diminuiu, em função do ensino arcaico de literatura na escola (Honestamente quem quer saber dos períodos literários a não ser professores de literatura e alunos do vestibular?), mas sempre tive minha paixonite por Harry Potter. Minha droga secreta; (Xiu, fica entre nós.) Tudo bem, sobrevivi. A faculdade conseguiu recuperar esse meu desejo perdido, aos pouquinhos, quase chamando para si um bicho selvagem. Quando vi, cai na arapuca; me pegou de jeito. E eu descobri outra vez o bom que era (momento clichê) viajar com os livros. Descobri a escrita e a mim mesmo e continuei assim, vivendo, construindo meus próprios desenhos. Mas, hoje, olhando para quem eu sou, eu não vejo nada disso. Não vejo nada a não ser um aluno qualquer de graduação. O que aconteceu comigo?

Faça um teste consigo mesmo agora. Sem perguntar, qual é a cor favorita do seu melhor amigo? E o maior sonho da sua empregada? Um brinquedo favorito dos seus pais? Uma decepção infantil de um colega impotante? O nome do cobrador que provavelmente passa por você todos os dias? Eu, honestamente, não sei. Não sei, como sei, que muitos também não sabem. Não sei porque não interessa. Não tenho tempo para saber. Não tenho tempo para questionar as pequenas coisas. Não tenho tempo para ler um livro que poderia me fascina. Não tenho tempo para decifrar quem eu sou e qual é o meu lugar no mundo. Não tenho tempo.

Me desculpem todos aqueles que acham que estou errado. De que quantidade é muito mais funcional do que qualidade. Mas o tempo voa e eu não tenho tempo para discordar daquilo que acho tão banal. Nem vocês. Vamos embora que a hora urge e o relógio não pára. No entanto, continuem com suas posturas burocráticas, continuem engolindo leituras e arrotando arrogância. Boa sorte! Fui!

Aqueles seres que bebericam vinho em degustações não querem ficar bêbados. Não querem excessos. Querem sentir seu aroma, provar seu sabor, sentir sua consistência. Querem aquele quase nada que vale como tudo. E o que você quer? E o que eu quero, afinal? Não é difícil de saber.

Não quero uma vida passada a toa. Não quero ler meia dúzia de livros em um mês não saber construir uma fala que faça sentido sobre eles. Não quero me auto-proclamar um conhecedor de coisas que eu não parei para olhar duas vezes. Quero saber o nome daquilo que me chama atenção, mesmo que não faça sentido. Quero me perder naquilo que é tão ridículo e insignificante que me faça rir. Quero degustar as letras de um pobre e único livro, mas que faça sentido supremo pra mim..

 

Quero menos de tudo. E melhor. 
Quero mais de mim.

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""A boca só pode falar do que o coração está cheio." [V. L.]



20h20 |





Meu Gizes

Eu poderia começar esse texto do mesmo modo que eu começo sempre. Tentando focar um aspecto da minha vida, falando de algo que me incomoda ou algo que me faz refletir, mas hoje, eu quero falar mais de mim como um todo.

Minha vida afetiva não anda emocionante, nem empolgante. Meu coração viaja em mares calmos agora. Não tenho o que reclamar. Quando for a hora de atracar em um porto, ele saberá o que fazer.

Eu ando preocupado com alguns problemas, não vou mentir, mas no geral eu estou bem. Sinto-me renovado desde que troquei para Psicologia. Encontrei meu caminho, aprendi a gostar mais de mim. Era tudo que eu precisava. Tenho muito o que passar ainda, mas pelo menos, estou feliz com o que ja percorri.

Focado em Psicologia, quero construir minha vida, seguri o meu caminho. Reunir os meus gizes de cera e fazer meu mundo ficar bem mais colorido. Do meu jeito, acima de tudo.

 

 

 


Agradeço a minha amigona, Lidi, pelo novo layout!
Visitem meu outro Blog -> Psiconlogia!!!


That's all folks!



16h34 |





Cá estou

O bom filho sempre a casa retorna.
Um jeito clichê, mas autêntico de começar.

É sempre assim. Passo um bom tempo sem escrever nada e do nada também resolvo reaparecer. Sou meio inconstante, coisa minha. Mas dá nada. O bom é reconhecer sempre que não consigo ficar muito tempo sem tudo isso.

Desde a minha última atualização muita coisa mudou na minha vida. Mudei de curso para Psicologia, uma das escolhas mais inseguras e certas que fiz em toda a minha vida. Depois de um processo todo complicado e dois dias inteiros dentro de um onibus sem dormir, consegui uma bolsa de estudos, que veio bem a calhar, já que eu não fazia a menor idéia de como ia pagar o curso. Depois de todo esse processo, tudo foi só festa. Fiz novas amizades, comecei a sair muito mais de casa, comecei a ter amigos reais, nós dois sentidos da palavra. Comecei a me conhecer de uma maneira que eu nunca tinha conhecido. E isso fez toda a diferença pra mim.

Participei da formatura e da festa dos meus colegas de Letras, do jantar que a Lidi ofereceu também. Ajudei um amigo a pintar a casa dele, apanhei no Naruto Ultimate Hero 4 de outro. Comecei a ter uma vida fora de casa, algo que sempre quis. Estava feliz assim. Estou feliz assim.

No meio de tudo isso, toda essa reformulação na minha vida, a escrita ficou totalmente esquecida, mesmo eu sabendo que algo estava faltando. Foi assim até eu me deparar com um texto antigo meu (Natureza Digital, vou postar aqui futuramente) e perceber como isso, o ato de por pra fora em palavras, me fazia falta. E cá estou de volta ao meu livro pessoal. Com algumas modificações, é claro. Começando pelo novo layout que logo vai estar amostra, feito pela minha grande amiga Lidi. Outra grande modificação, mas não para aí.

Não pretendo mais escrever textos com a gramática perfeita, rimados e cheios de coerência. Não sou mais atrelado a perfeição nociva que me corroia meus laços com a escrita. Não mais. Prefiro ser fiel a mim mesmo e a essência sem senso que sempre tive. A partir de agora, esse espaço vai ser um reflexo do que eu tenho a oferecer. Nem sempre organizado, coerente e coeso. Nem sempre profundo e interessante. Talvez raso, vazio e superficial. Talvez eu em minhas todas faces.

 

Voltei e cá estou para todos que quiserem saber.

 

 



23h12 |





Violação

- A madrugada mais fria de minha vida. Era tudo o que ela conseguia balbuciar quando lhe perguntavam sobre o que havia acontecido naquela noite.



17h30 |





Silêncio

Minhas professoras na escola achavam que eu era louco. Isso não era por meu jeito introspectivo que preocupava tanto minha mãe, mas por algo muito mais curioso. Eu adorava ler enquanto escrevia. Era tão maravilhoso ouvir o som ritmado de cada letra, cada ponto e vírgula surgiam. Arriscava uns ponto e vírgulas, (ousado, não?) desafinava, perdia o tom, mas recompunha tudo no próximo ponto. Ou voltava e tentava novamente, usando outras notas. Era um processo tão sonoro, tão rico, quase como compor uma música. Minha professora de Português se aproximava devagarzinho e tentava ouvir o que eu murmurava, mas não conseguia escutar. Quase ninguém consegue mesmo hoje em dia.

 

Ainda tenho essa mania estranha, mas disfarço o máximo que posso. Sabe como são os moralista perto de alguém não tão convencional. Quando estou em casa, sozinho, começo digitando simples palavras, consciente que não posso ir além, na tentativa vã de sanar meu vício momentaneamente (que palavra deliciosa esta), mas não bastava. Precisa de mais. Quando via já tinha um texto composto. Não há prazer maior do que sentir nas cordas vocais o que não é visível pelo homem comum. Saborear as consoantes bilabiais que saem quase como um beijo com certo gosto anasalado, meio envergonhado ou (ex)plosivo como um tiro, lá do fundo grande parte das vezes. Pitadinhas extras.  Sem falar nas consoantes mais rebeldes, que friccionam e deixam sua marca ou aquelas vibrantes que assustam pela sua força.  As vogais já são diferentes, são simétricas, dotadas de propriedade. Elas se acham, preciso admitir, mas únicas em seus contornos. Não importa. São todas um delírio para meus sentidos. Um prazeroso sexo verbal. (Renato Russo que me perdoe). No entanto, não é seu som isolado que chamam sua atenção, mas o sentido uníssono que criam. Minha escrita é produto disso. Minha escrita é o barulho mais ensurdecedor que conheço.

 

Quando passos esses longos tempos sem escrever, sinto como se uma voz tivesse se calado. Aquela que me diz para onde ir, o que fazer quando os caminhos parecem tempestuoso demais, terrivelmente silenciosos e obscuros.  O que escrevo tem o tamanho do mundo. Não é fatiavel e analisável. Não é bonitinho, legalzinho, rimadinho, nenhum outro “inho”. Nem “ão”. Muito menos material didático. Está além daquilo tudo que digo como ser humano comum, vulgar e ordinário. Tem cadência, perda de nota, erro de conjugação. É vivo. É a parte mais quente de mim. É o meu grito.

 

O silêncio é necessário, mas não é nele que está contido tudo aquilo que importa de verdade. É no conteúdo impreciso que está esse calor; da palavra impura que é expelida como um feto, procurando seu lugar no mundo. É a verdade. Vento farfalhando seus desejos obscenos entre as árvores. O mar. Barulho de rua cheia de movimento, de carros indo e vindo, de gente conversando, rindo, chorando, gozando, vivendo. Impactante. Inquietante como só ela pode ser. E me desculpe de verdade aqueles que amam o subentendido. O silencio não me satisfaz.

 

 



02h49 |





Sensação

É. Passou. Você com sua asquerosa arrogância e frieza talvez nunca saiba o quanto desejei isso. Nos meus lapsos de sanidade, aspirava adormecer de meus medos e despertar quando a tristeza deixasse de ser minha companhia sob a consciência de que não há mais dor para dor a doer. Redundâncias de um coração insensível. Intragável, mas que por azar e força do destino enfrentou e superou tudo que havia a enfrentar e superar. Mesmo assim, aqui dentro, quando me perco em meu intimo mais obscuro, sei com toda certeza que o vazio não foi embora.

Quando caminho pelos meus delírios sazonais, me pego pensando em você. Amável, redundante, quase intocável. Fico confabulando hipóteses do porque de nossos tantos "quases". Sei que não pensa mais em mim, que tua vida tomou rumos longes dos meus. Mas fico cá preso as possibilidades de tudo que já sonhei com você. Poderíamos ter visto o mar juntos em Porto Alegre? Estaríamos em nosso tão famigerado apartamento? Teríamos mesmo uma vida em conjunto tal e qual nós havíamos sonhado? E meu perco nessas remotas perguntas sem mais possibilidades para só depois recobrar a consciência e ver o que sobrou de minha vida em pedaços. Você talvez nunca tenha entendido meus sonhos.

Em minhas memórias, aquelas que guardo para momentos de delírio, me pego abraçado ao que ficou. Seu olhar torpe e confuso. Seu toque que me fazia rir. Seu sorriso desfocado, falando bobagens que até hoje não consigo compreender. Agarro essa saudade. Necessidade de ouvir a tua voz me dizendo coisas insensatas e imorais outra vez. Pequenas coisas grotescas e delicadas que tocavam meu coração. Ouço teu riso ao longe, zombando de mim, enquanto procuro sem sucesso teu rosto em tantos outros. Loucura secreta minha.

Hoje a mercê de meu rosto nunca mais encontrar com o teu, ainda mantenho gravado no peito as verdadeiras frias que me ofereceste. Lembranças de uma madrugada que demorou a clarear. Mesmo agora, com a luz do nascente, me recuso a enxergar que amei mais um de meus personagens. Acreditar que talvez de todas as suas mentiras amáveis, haviam algumas verdades bastantes dolorosas. Crer que talvez somente munido dessa luz consiga me entregar as minhas fraquezas e admitir que por mais que esteja preso a esse sentimento quase platônico e irreal, é a você que vejo. É a você que busco quando deixo sem pudor a chuva molhar meu corpo e me levar voando para longe daqui. Devaneio insensato meu.

E, hoje, depois de tanto tempo, por mais que admita com toda sinceridade que não sinto mais nada por você, queria do fundo do meu coração que estivesse aqui comigo agora.



Você talvez nunca entenda essa sensação.

 

 

 

 

 

We'll just fly...



04h27 |





Aprendendo a viver

"Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.


Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destrui-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais searrependerá pelo resto da vida.


Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, perceber que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.


Aprende que as circunstâncias e os ambientestêm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles ocontrolarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.


Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver comos tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens. Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.


Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.


Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar...que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. Aprende que nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar. E que realmente a vida tem valor e que VOCÊ tem valor diante da vida!"

 

 

William Shakespeare (Supostamente)

 

 

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Resolvi postar esse texto, já que diz muito de mim mesmo e das pessoas que me cercam. Talvez, não aprenda todas as lições que devo aprender, mas não custa, pelo menos, tentar... Cya!



15h37 |





A Verdade sobre a Amizade

Dizia eu que escreveria mais, mas ando escrevendo tão pouco quando sempre. É engraçado como isso me abala. Talvez não escreva tanto por que não conseguiria variar muito o tema, algo que transcorre em meu pensamento recluso nesse maldito apartamento: o quão falho é a amizade em si. Não tenho mais paciência pra ladainhas típicas de filme da Seção da Tarde. Como tudo que envolve a humanidade, a amizade não escapa da sujeira dos interesses pessoais e da podridão do egoísmo.

 

Dos meus 22 anos mal vividos, eu não fiz muitas amizades. Nem procurei fazer. Odeio a futilidade e superficialidade de relações vazias de sentido. Companheiros de festas, amiguinha forever, gente com um QI de ameba falando da coloração do céu. Odeio. Gosto de papo envolvente de pessoas de conteúdo; de humor refinado que sabem a hora certa de falar e de ouvir. Devido a raridade de encontro desse gênero de pessoa, cá estou eu sozinho datilografando essas linhas. No entanto, não confiro o titulo de minha solidão a essa única peculiaridade.

 

Todas as minhas amizades que acabaram mal e as que ainda resistem com dificuldade, sempre residem no espectro do interesse. O que você tem a oferecer a seus amigos? É justamente desse material que a maioria deles se alimenta. Quando vão embora, levam pedaços da gente, nos fazendo perguntar, muitas vezes, se ainda somos os mesmos...


Estou doente de pessoas que me procuram em busca de atenção. Estou cansado de pessoas que querem ser ouvidas, mas que não sabem ouvir. Cansado de pessoas que me dão atenção esperando exclusivamente recebê-la de volta. Cansado de pessoas apaixonadas que fazem joguinhos de interesse comigo. Cansado de pessoas que não sabem admitir que estão erradas e manipulam a verdade a favor delas. Cansado de pessoas que ficam dizendo palavras bonitas, mas que nas atitudes não demonstram nada. Cansado do conceito clichê de que amizade é aturar tudo que vem do outro sem reclamar.  Cansado de muita gente.

Quero amizade pura e irrestrita. Quero atenção dos que tiverem dispostos a dá-la sem cobrá-la mais tarde. Quero convites pra olhar a grama crescer, chamamentos para ver as flores das árvores nascerem no parque central da cidade. Sentimentos incomuns.  Quero risos, tempo livre, caminhadas em silêncio. Não quero neuroses, brigas, discussões por bobagens. Quero liberdade de dizer o que sinto e penso sem represarias. Eu quero sinceridade e lealdade.

E, por mais que muitas vezes vá contra mim mesmo, este é um giz de cera que não abro mão por ninguém definitivamente.

 

 

 

OBS: Eu construí uma ideia a partir da realidade, mas não estou falando de ninguém especificamente. Se você acha que tem alguma indireta pra alguém especificamente e que seu pai é o Darth Vader, procure ajude profissional.



03h45 |





Uma carta à Escrita

Olá Senhora

 

 

(Não sei se devo chamá-la de senhora. Não sei se é tão terna para receber essa nomeação, já que em muita em sua forma de agir nem sempre é vista como bela e sutil a meus olhos. Muitas vezes, causa temor e espanto aos homens. Por convenção chamo-lhe de senhora. Sabes como são machistas os homens da gramática, afeminando o que lhe é delicado a aparência.)

 

 

Enviei-lhe esta carta como um sincero pedido de desculpas. Sei que não devo lhe explicar a razão disso. Há muito vens se queixando de minha ausência. Dizendo a todos que lhe abandonei, que a pouco valorizo, que a procuro somente nos momentos mais impróprios. Quando proferistes estas agressivas palavras, em muito, estava certa. Eu realmente a abandonei. Andei por outras milhas, longe de tua casa. Queria mais atenção, sentir- me melhor comigo mesmo e pensei, assim, que seria mais feliz longe de ti. Estava errado. Completamente errado.

 

Quando abandonei tua matriarca, senti-me compelido a te abandonar também. Queria cortar laços. Contudo, com o passar dos meses, com as poucas vezes que nos vimos e com o modo que me trataste nessas visitas, senti-me extremamente angustiado. Tentei culpar o que não devia para somente mais tarde chegar à conclusão mais obvia de meu singular problema. Era você que precisava manter por perto. Não importa o quão tortuosos são os caminhos que prossiga, nem perigosas as rotas que peregrine, somente com tua imagem, com tua presença em meu ser, tudo parece se validar. Tudo realmente vale a pena afinal.

 

És a razão de me senti em frangalhos. És a razão de querer continuar vivendo. É por ti que murmuro nomes em minhas extensas viagens. É por ti que guardo minha espada e meu escudo e baixo minha cabeça, reverenciando seres invisíveis. Somente por ti que deixo de ser um rude, porem, nobre cavaleiro para me tornar um mendigo maltrapilho que anda por estas amargas estradas solitárias.

 

Com o coração em pedaços, sei que pode não mais me perdoar. Tens o direito de jamais olhar em meu rosto outra vez. Justamente por esta razão que lhe envio esta carta. Apesar de valente, não sou dotado de tamanha coragem a ponto de enfrentar teu rosto em fúria outra vez. Apenas peço humildemente teu perdão. Perdão pela minha ausência insolente. Perdão por abandoná-la por tanto tempo. Perdão por ser esse miserável sem rumo que porque mais tente acreditar que é alguém longe de ti, somente sente-se plenamente completo ao teu lado.

 

 

Por tua consideração e respeito.

De alguém que por mais que negue a si e ao mundo somente tem a agradecer a ti.

 

De teu cavaleiro errante.

 

 

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Este texto é uma continuação de outro, que escrevi alguns meses atrás, chamado "Confissão".

 

 

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Last Draw

 

Nos ultimos meses, ando sentindo uma angústia e, finalmente, entendi a causa. A falta de escrita. Antigamente, eu me preocupava tanto em ter algo bonito e bem feito para apresentar a todos (nunca a mim mesmo) que acabei tornando o ato de escrever um fardo. É normal num blog querer escrever para ser lido por alguém, mas há um limite antes disso virar uma obsessão Há um equilibrio entre fazer algo bonito para si e algo bonito para os outros e é, assim, que vou seguir a partir de agora.
A carta que escrevi acima é uma forma de me desculpar por todo esse tempo de ausência. Como é incrível te descobrir o que faz bem...
Amanhã a minha amiga Tici vem para cá. É a primeira vez que eu conheço alguém da net que vem de bastante longe. Aposto que vou ter inúmeras novidades para contar!
Cya!

 



03h07 |





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